quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quem manda em mim?

Fecho um olho. Esquisito. Depois o outro. Também. Com os dois abertos, tudo embaçado. Sempre tive medo de não enxergar direito. E não é que agora eu estou assim? Me irrito lendo o jornal. Desisto e vou tomar banho. Era só isso o que me faltava pra cair em um choro sem fim. Na reunião a tarde, não vejo nada direito do que é apresentado. Dissimulo. Sempre pensei que a falta da visão, empurra o sujeito para a escuridão e para o pensamento. Apenas para o pensamento. Não suporto nenhuma das duas possibilidades. Odeio escuridão. E não aguentaria ser tomada pelo meu cérebro. Resolvo reagir. Lembro que tenho corrido. Tenho malhado. Me divirto com as pessoas que amo. E isso está longe de estar mergulhada na escuridão e nos pensamentos. Choro outra vez. O olho embaça, não enxergo nada! E me dou conta de que, decididamente, quem manda em mim, é o coração. E esse, uhuuu, anda bem acelerado nos últimos tempos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A delicada raça da pedra dura

Quando eu era criança, um tio muito querido me dizia que eu chegava delicadamente. Ficava pensando seriamente o que seria aquilo. Até que me dei conta que era um elogio. Como eu era muito tímida, eu não queria ser notada. Chegava sem fazer barulho. E ficava observando as conversas. As pessoas. Tudo ao meu redor. Hoje, tenho uma amiga muito querida também, que diz que somos da raça da pedra dura. Já não perco tempo pensando o que isso quer dizer. Entendo bem. Mas fico pensando se a delicadeza e a pedra dura são antagônicas. E concluo que não. Porque quero ter a delicadeza no trato. No falar. No sentir. E a pedra dura, no enfrentamento. Na coragem. Na persistência. Na resistência. Na insistência. E essa, não quebra fácil.  Nem entorta. Por delicadeza, gosto muito dos gestos amorosos. E quando esbarro em alguma coisa diferente disso, vou em frente. Ô raça!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

. O meu Facebook .

É assim. Se estou cansada, exausta, sem vontade de fazer nada. É lá que me ocorrem mil ideias novas. Escutar musicas, conversar com meus amigos, ler um blog. Fácil. Se estou triste, com dó de mim, com um nó na garganta, engolindo o choro por horas a fio. É lá que encontro as maiores bobices, os melhores assuntos, dou as maiores gargalhas. Rio, rio e rio muito. Se estou de mau humor, leio as coisas mais surreais, vejo as fotos mais vergonhosas, acho todos os 'pensamentos' da Clarice Lispector. E, claro, vejo que o mundo é muito melhor do que eu possa imaginar. Não há solidão que resista. Não há seriedade que não despenque em segundos. E aí, eu entro sem nenhum pretensão. E dou de cara com uma declaração de amor dos meus amigos. Gargalhada certa. Nada ali tem script certo. Desconcertante e emocionante. Lindo. E simples assim.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Por que é que tem que ser assim

Ando com uma saudade doída dela. De andar de mãos dadas por aí. Das gargalhadas, por pura bobice. Dos programas só nossos. De ver Friends agarradinhas no sofá. E ficar rindo, rindo, rindo. Saudade de fazer brigadeiro branco e comer o prato todinho de colher. Saudade de sair pra comprar roupa e não encontrar nada. Até do mau humor dessas horas eu sinto falta. Saudade de comer comida japonesa, até a gente não aguentar mais. Saudade de ir no trashokê e, juntas, cantar olhando uma pra outra. "Sou eu assim sem vocêê." Saudade dos domingos de risotos inventados. Cada domingo um diferente. Saudade dos abraços apertados e dos beliscões que eu dava quando ela virava de costas. Ela sempre reclamava rindo. Saudade de entrar no quarto dela e vê-la cantando aaaalto!!! Sempre cantando. Saudade de tudo o que ela fazia e trazia pra eu provar. E eu sempre queria mais. Saudade de poder dizer que a amo com o amor mais forte que existe. Amo tanto que tenho certeza que essa saudade vai acabar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Meu for tri tri

Depois de alguns dias andei de ônibus outra vez. Mais histórias me divertem. Um senhor muito idoso, muito demais, atravessa a Nossa Senhora de Copacabana sozinho. Na cabeça, um machucado. Revolta geral. ‘Como pode? Se eu machuca-lo, aparece neto, filho, bisneto, até pai e mãe!’ Não tem como ficar alheia. Nem meu desligamento habitual suporta. ‘Ah! Malandro, precisa ver a minha sogra! Ela é pensionista da Aeronáutica. 74 anos. Eu aqui ralando como cobradora. Meu marido com 46 anos, ela agora arrumou um namorado de 48. Adivinha onde ele trabalha? No Hospital da Aeronáutica, haha. Só pra arrancar dinheiro dela. É uma máfia que tem lá, só pra isso.’ E assim, minha viagem interna se distrai. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ai, outra vez

A dor voltou a me paralisar nos últimos dias. O mesmo sentimento de desamparo durante a noite. Nada me socorre. De repente, se mistura aos sonhos e quando acordo, demoro muito tempo pra entender se é real, ou se tudo aquilo fez parte do meu sono. Desalento absoluto.
Hoje foi assim. Horas lentas. Banho muito quente. Cabeça confusa. Pelos remédios, pelo cansaço. O trânsito insuportável me deixa a um gesto de sair correndo e gritar muito. Só desisto diante da chuva e do frio que não vão embora da minha cidade. Se não fosse isso, talvez a dor até desistisse de mim.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Quieta

Hoje acordei precisando de silêncio. Não falar muito. Não falar quase nada. Presto atenção ao dia lindo, ao meu trabalho, às pessoas. Escuto a tudo o que sinto. Engulo, engulo. Percebo que qualquer movimento diferente me desequilibra. E isso não me conforta. O trânsito a mais ao voltar pra casa me dá um nó na garganta. Isso não é normal [penso sozinha]. Caminho pela rua movimentada de Ipanema, me distraio e chego em casa. Ganho um sorriso da minha filha. Algumas perguntas do meu filho. Tchau, mãe. Ele sai. Silencio outra vez.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Eu quero dar alegria

Sempre fui desligada. E muito ligada ao mesmo tempo. Assim mesmo, as duas coisas brigando dentro de mim. Da mesma forma que estou longe, muito longe, estou super ligada em alguma coisa que ninguém imaginou que estivesse prestando atenção. Então, sem mais nem menos, surpreendo.
Sou assim também com as emoções. Estou na mais profunda dor. Sofrendo muito, muito mesmo. O nó na garganta permanente, o choro compulsivo em todas as manhãs. E assim eu vou.
Mas não quero isso. Quero cantar. Quero rir. Quero dizer pras pessoas que elas me salvam todos os dias. Todos os dias! Às vezes recuo, desligo, mas vou em frente. Em busca da minha alegria. Só assim serei capaz de salvar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

...

Nada me é estranho. Nada. Nem o pedido, nem a dor. Nada. Mas a impotência é. A paralisia absoluta é. E me joga em um abismo todas as manhãs desesperador. Aí eu tento traçar um plano para o dia. Saídas. Buscas. As horas passam. Nenhuma mudança à vista. Passos lentos. Algumas lágrimas. E eu ali. Não se trata de ideias novas. Não se trata de palavras mágicas. De discursos milagrosos. Quem dera! Um cigarro. Mais um. Ansiedade absoluta. Concentração alguma. O meu sono foi embora. Minha fome. Minha força. Mas duas coisas permanecem ao meu lado e dentro de mim. Fiéis. Crescentes. Inabaláveis. As pessoas. E o amor delas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Encontros

Quente, muito quente. Era assim que estava aquela manhã. Um sol que iria aparecer, mas ainda não havia saído. Ipanema, Aterro do Flamengo, Santos Dumont. Um aperto. Sábado é o dia que mais gosto na minha cidade. Uma vontade de ficar, mas sei que deveria ir. E fui. São Paulo e calor são situações estranhas. Embora eu as conheça bem. O evento que me levou durou metade do dia. O vinho me deixou falante. Ao anoitecer a casa do meu amigo me esperava. No caminho para lá penso em como tenho amigos. Em todos os lugares. Sorrio. E, mais uma vez, penso que é esse acolhimento que eles me dão que me salva. De tudo. O efeito do vinho vai embora, mais um tempo e minha amiga liga. Caminho até sua casa e a lua cheia está mais do que linda. A conversa mais do que boa. No restaurante japonês falamos dos filmes da nossa vida. São tantos. Fui dormir pensando em Paris Texas.
Quente, quente demais. Era assim que estava aquela manhã. Uma vontade louca de fugir dali. Minha amiga ligou e fomos tomar café da manhã em uma daquelas padarias paulistanas bacanas. Cheia e gostosa. Depois vamos ao Parque do Ibirapuera ver algumas exposições. Brasilidades. Cultura popular. Emoção. Mais conversas, fotos, amo muito tudo isso. É só o que consigo pensar. Combinamos de descer o Velho Chico. Sonho antigo. Lembro que conheço bastante o meu país. Mas quero conhecer muito mais. Vamos para o Mercado e mais encontros, mais amigos. Almoço. Quando vejo aquela mesa, lembro de 'tudo junto e misturado'. Me emociono mais uma vez. Saímos de lá andando. A cidade está lotada, Virada Cultural. Paramos pra comer um doce. É a última parada com eles. Hora de voltar.
Quente, quente e linda. Era assim a noite no Rio quando cheguei. A Lagoa, Ipanema me esperava, minha casa. Meus filhos, meus objetos, meus cantos. Uma sensação boa de chegar. De pertencimento, enfim. Cansada, mas sem conseguir me desligar de tudo o que vi, conversei, dos encontros. Fui dormir pensando nos abraços dos meus amigos.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Saudade de Clarice

A noite está quente e eu caminho em direção à Lagoa. Linda. O movimento de sempre. Todos se exercitam. Muitos carros. E eu sinto falta do suor da minha corrida. Mas meu destino é o Caiçaras. De longe vejo a Clé. Acho engraçado que a gente sabe que está com saudade, mas a dimensão exata a gente tem quando vê a pessoa. Dá um aperto e percebe que falta danada estava sentindo daquela presença. Daquela conversa. Daquela distração que é dela e que é minha também [coleciono as melhores histórias do mundo sobre isso!]. Estava sentindo saudade das nossas brincadeiras. Dos nossos códigos que só nós entendemos. Das desculpas mútuas. E dos acessos de gargalhadas. Do nada. Por nada. Bobices. Sempre foi assim. Sempre será assim. E a conversa vem, fica, não termina. Não terminará jamais. Porque o amor é imensurável. Pra sempre. E quando nos despedimos e saio andando pra casa, a saudade permanece. Mas percebo que volta uma alegria, que só ela é capaz de imprimir em mim. Vontade de voltar ao tempo em que nos víamos cotidianamente.

sábado, 9 de abril de 2011

Ciclo básico

No caminho para o trabalho, aflita, muito aflita, tento alguma resposta pelo telefone. Ela não vem, mais uma vez. A noite mal dormida deixa a cabeça atordoada. O choro engolido saiu ainda na cama, ao tentar levantar. Mas com o passar das horas ele não para. Não tem jeito. Sai sozinho. Está além de mim. Fora de mim. Peço desculpas. E continuo assim. Me olho no espelho e levo um susto. Não me reconheço mais. Meus olhos estão horríveis. Fico alguns minutos olhando a água nas minhas mãos, buscando alguma força para elas. Não estarão nas minhas mãos a possibilidade de mudar nada. Nada. Infelizmente. Como se eu pudesse cavar, cavar, cavar... Não posso. Não existe terra pra buscar alguma coisa. Não existe busca. Ando lentamente. Se eu pudesse correr e chegar mais rápido! Não. Já corri tanto, tentando buscar algum ar a mais. Não resolveu. Minhas pernas estão finas. Meu corpo magro. Não é com meu corpo mais forte que conseguirei transformar tudo isso. Já está provado também. Quanto mais peso eu puxo, menos força eu tenho pra transformar esse estado de coisas instalado a minha frente. Por que eu não consigo? Tento tanto empurrar isso tudo pra bem longe daqui! Faço tudo o que posso! Até minha voz anda baixa. Ninguém anda me escutando direito. Aí eu canto. Tenho cantado. Então, de novo o aperto no peito. Muito. Tento a gargalhada. Mas ela está cada vez mais rara. E quase em desespero eu tento dormir. Sem sonhar. Porque ele não existe mais. Há muito tempo que desistiu de mim. Tristeza profunda.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Noite

A frase não sai da minha cabeça, respira, tem de respirar, todo dia, todo dia. A noite volta e meia é cortada. Por algum susto. Alguma dor. Real. E o pensamento custa a entrar em sintonia. Ou melhor, custaria. Mas vai no tranco. Tem de respirar. Mesmo com todo o aperto bem aqui. Com toda confusão mental em que me sinto. Perturbação absoluta. Por que tem de ser assim? Nada disso estava em tudo o que inventei. Em tudo o que fiz. Em todos os retalhos que costurei pra que a colcha fosse enorme, e quente, e macia, e protetora, e colorida, e que tivesse espaço para todos os outros pedaços que viessem ao longo do tempo. Que fosse sem fim... E eu lembro que tenho de respirar. Todo dia. Todo dia.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Amiga[íssima]

O dia era apenas mais um. Normal. Várias janelas abertas no computador. Além de muito trabalho. Comum. A rede social fica ali. Gosto disso. É uma forma alegre de me manter ligada aos meus amigos. Aos meus filhos. Àqueles que estão longe. Mas perto. Mais perto. De vez em quando uma sugestão. Algumas bacanas. Outras ignoro. Veio uma especial. Nem acreditei. Li de novo. Claudia Zurli. Mais Bravo. Não é possível?! Tão longe. No tempo. Na história. Mas volta e meia ela vinha na minha lembrança. Sempre linda, eu lembro bem. Que engendrava uma nova saudade, uma outra pessoa, um outro tempo.  E agora ela estava ali. Possível, alcançável, acessível. E mais. Passou a ser também definitiva. Imprescindível. Mais feliz impossível.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vou!

A sensação é a mesma sempre. Tudo é possível. No início muita empolgação. Como fico feliz! Rio demais. Brinco demais. Faço declarações demais. Tudo é demais. Depois, não tem jeito. A dor volta com força demais. Mas acabei de me olhar no espelho e vi que dá pra disfarçar. Vou começar tudo outra vez.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

[des]Caminho

Angústia e dúvida. O dia todo assim. Desacertos fáceis pra mim. Quase surto. Tento prestar atenção ao homem que fala sem parar dirigindo o carro. Irritação é o que ele consegue me provocar. Não, para por favor. Quase desço. Insisto e me distraio olhando as vitrines lotadas de artigos baratos. Por que eu nunca me lembro de fazer compras aqui? Muito longe da minha casa, concluo rápido. Está lindo o dia. E eu aqui, nessa aflição medonha. E ele não cala a boca. Traço planos, mil planos pra me consolar, pra fugir do aperto no peito. Para de drama, brigo comigo mesma. Não tenho a menor vocação pra isso. Por que esse cara escolheu essa rua tão engarrafada? E ele não cala! E o meu peito continua apertando. E as ruas ficam cada vez mais feias. Respiro fundo e sei que é só angústia. E que vai passar.

terça-feira, 29 de março de 2011

É bem mais

Prefiro chamar de deslembrança. Para mim mesma. Tenho achado mais bonito assim. Faço uma cara de que faz parte do meu jeito e vou em frente. Mas, de repente, as cenas vieram inteiras. E passaram para os sonhos. E para as janelas do carro. Povoaram as cenas reais. E me fizeram pensar que havia recuperado a lembrança. Quando, na verdade, estou com saudade de mim. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Voltando...

Demorou, demorou. Ando mais observadora. Metade preguiça, metade vazio. Algum cansaço, mas não chega a ser desalento. Apenas um certo sossego. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Monólogo

Penso, repenso, me irrito, dispara outra vez alguma coisa que não dou conta. Não sei o que é. Embora saiba a origem, o desenrolar, o ponto nevrálgico da impaciência e da desconfiança. Saco zero. Minha respiração não está boa. Bandeira dez. Empurro o sono o máximo que posso. Os sonhos andam agitados. Talvez isso explique o cansaço permanente. Ansiedade mil.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pensamentos acumulados

A campanha acabou. Minha candidata foi eleita. Não consegui discutir quase nada sobre as eleições. Primeiro, porque a campanha foi de um nível muito baixo. Segundo, porque só se discutiu no Facebook. Mas confesso que estou de ressaca. Embora este seja um sentimento anterior à campanha.
Ando me sentindo um tanto agoniada com a falta de possibilidade de se discutir a respeito de qualquer assunto. Ou se tem absoluta unanimidade ou o silêncio impera. Ou todos pensam iguais, ou tem sempre uma voz falando mais alto que cala o outro. Ninguém consegue escutar ninguém.
E pode ser qualquer assunto. Se todos gostaram de um filme, não consigo dizer por que não gostei. Nem pensar alto pra organizar meu pensamento, discutindo, amadurecendo minha opinião com a opinião de quem gostou. Se eu acho que as redes sociais são instrumentos importantes na sociedade hoje, a mesma coisa. Se não quero fazer análise, idem. Enfim, parece que só podemos conversar sobre o nada. Ou sobre as tristezas. Ou sobre bobices. Não sei, fico com uma grande sensação de que estamos perdendo muitas coisas. Gostava mais do tempo em que podíamos saber o que nossos amigos pensavam. Não tínhamos medo de expressar nossas visões de mundo. Não perdíamos amigos por pensarmos diferente.
Acho que precisamos recuperar a possibilidade de falar, de escutar, de tolerar... Ando com medo de manter os amigos, mas de perder a capacidade de crítica e de deixar de escutar coisas interessantes.  Tenho certeza que tenho muito a aprender com muita gente.