sexta-feira, 1 de abril de 2011
[des]Caminho
Angústia e dúvida. O dia todo assim. Desacertos fáceis pra mim. Quase surto. Tento prestar atenção ao homem que fala sem parar dirigindo o carro. Irritação é o que ele consegue me provocar. Não, para por favor. Quase desço. Insisto e me distraio olhando as vitrines lotadas de artigos baratos. Por que eu nunca me lembro de fazer compras aqui? Muito longe da minha casa, concluo rápido. Está lindo o dia. E eu aqui, nessa aflição medonha. E ele não cala a boca. Traço planos, mil planos pra me consolar, pra fugir do aperto no peito. Para de drama, brigo comigo mesma. Não tenho a menor vocação pra isso. Por que esse cara escolheu essa rua tão engarrafada? E ele não cala! E o meu peito continua apertando. E as ruas ficam cada vez mais feias. Respiro fundo e sei que é só angústia. E que vai passar.
terça-feira, 29 de março de 2011
É bem mais
Prefiro chamar de deslembrança. Para mim mesma. Tenho achado mais bonito assim. Faço uma cara de que faz parte do meu jeito e vou em frente. Mas, de repente, as cenas vieram inteiras. E passaram para os sonhos. E para as janelas do carro. Povoaram as cenas reais. E me fizeram pensar que havia recuperado a lembrança. Quando, na verdade, estou com saudade de mim.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Voltando...
Demorou, demorou. Ando mais observadora. Metade preguiça, metade vazio. Algum cansaço, mas não chega a ser desalento. Apenas um certo sossego.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Monólogo
Penso, repenso, me irrito, dispara outra vez alguma coisa que não dou conta. Não sei o que é. Embora saiba a origem, o desenrolar, o ponto nevrálgico da impaciência e da desconfiança. Saco zero. Minha respiração não está boa. Bandeira dez. Empurro o sono o máximo que posso. Os sonhos andam agitados. Talvez isso explique o cansaço permanente. Ansiedade mil.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Pensamentos acumulados
A campanha acabou. Minha candidata foi eleita. Não consegui discutir quase nada sobre as eleições. Primeiro, porque a campanha foi de um nível muito baixo. Segundo, porque só se discutiu no Facebook. Mas confesso que estou de ressaca. Embora este seja um sentimento anterior à campanha.
Ando me sentindo um tanto agoniada com a falta de possibilidade de se discutir a respeito de qualquer assunto. Ou se tem absoluta unanimidade ou o silêncio impera. Ou todos pensam iguais, ou tem sempre uma voz falando mais alto que cala o outro. Ninguém consegue escutar ninguém.
E pode ser qualquer assunto. Se todos gostaram de um filme, não consigo dizer por que não gostei. Nem pensar alto pra organizar meu pensamento, discutindo, amadurecendo minha opinião com a opinião de quem gostou. Se eu acho que as redes sociais são instrumentos importantes na sociedade hoje, a mesma coisa. Se não quero fazer análise, idem. Enfim, parece que só podemos conversar sobre o nada. Ou sobre as tristezas. Ou sobre bobices. Não sei, fico com uma grande sensação de que estamos perdendo muitas coisas. Gostava mais do tempo em que podíamos saber o que nossos amigos pensavam. Não tínhamos medo de expressar nossas visões de mundo. Não perdíamos amigos por pensarmos diferente.
Acho que precisamos recuperar a possibilidade de falar, de escutar, de tolerar... Ando com medo de manter os amigos, mas de perder a capacidade de crítica e de deixar de escutar coisas interessantes. Tenho certeza que tenho muito a aprender com muita gente.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Alô, alô
Quero e não quero, mas sei que de repente, de uma hora pra outra, acelerou uma batida aqui dentro. Como se alguma coisa nova fosse surgir. Será? E viesse me dar um susto. Mas também posso continuar paralisada. Como, aliás, me sinto o tempo todo. Só os pensamentos é que andam muito ágeis. Mas as palavras e os gestos não. Lentíssimos. Os passos também. Procuro manter meus olhos atentos, mas ainda assim eles escapam. Vão embora. Encharcam. Disfarço, quando me dou conta que estão assim no lugar errado. Sempre inadequados esses olhos que teimam em viver molhados publicamente. Aí solto um sorriso também fora de lugar. Acho que estou precisando, urgentemente, ir pra Bahia. Encontrar minha régua e compasso.
domingo, 10 de outubro de 2010
Água
Sexta, no show do Caetano, ele cantou uma música pra mim... Chorei muito, muito. Minha irmã, que estava na minha frente, percebeu logo que era pra mim e pegou a minha mão. Letícia também disse logo que ia virar mantra. Porque há muito tempo meu mantra é o do Gil, tudo tudo vai dar pé!
Eu não sabia o nome da música. Hoje, meu Caio descobriu tudo! E eu compartilho aqui. É linda demais! Pequena, mas diz tudo.
Água
Kassin +2
Eu vou ficar aqui torcendo para tudo melhorar,
Juro que vou
E sei que vai passar o seu rancor
O sangue não se torna água
Eu vou ficar aqui torcendo pra você se recuperar
Eu vou ficar, sim
Cantando pra você ninar
Eu quero que tudo melhore
Pa pa pa pa
Calma
Tenha calma
Ninguém pode viver assim
Calma
Tenha calma
O mundo não tem fim
Pa pa pa pa
Eu não sabia o nome da música. Hoje, meu Caio descobriu tudo! E eu compartilho aqui. É linda demais! Pequena, mas diz tudo.
Água
Kassin +2
Eu vou ficar aqui torcendo para tudo melhorar,
Juro que vou
E sei que vai passar o seu rancor
O sangue não se torna água
Eu vou ficar aqui torcendo pra você se recuperar
Eu vou ficar, sim
Cantando pra você ninar
Eu quero que tudo melhore
Pa pa pa pa
Calma
Tenha calma
Ninguém pode viver assim
Calma
Tenha calma
O mundo não tem fim
Pa pa pa pa
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A que será que se destina...
Claudinha Diniz publicou no Facebook e eu amei!
Caetano explica a inspiração para Cajuína, com uma rosa pequenina nas mãos, chorando por Torquato Neto. Lindo...
Caetano explica a inspiração para Cajuína, com uma rosa pequenina nas mãos, chorando por Torquato Neto. Lindo...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Hein?
Todos estão felizes. De repente, tudo para. É como se o pensamento ficasse transtornado. A mesma sensação de cair na rua. De susto. De bronca injusta quando é criança. De desamparo. De novo isso? E vejo um monte de bocas com sorrisos amarelos, em movimentos lentos, explodindo em meus olhos. Perco o ar. Uma vontade instantânea de chorar me tranca a garganta. Até quando vou me permitir esse lugar? Me alugar?
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Lá
A garganta arranha, o corpo tá mais é querendo ficar quieto. E ainda acordei cedo e fui malhar. Mas a vontade de passar um fim de semana divertido é maior. Estou ‘cansada de cabeça’. A gente ri desta frase. Nós, os queridos amigos. Mas ela sintetiza bem o que sinto. Mas decidi que quero um ar assim de quem está deixando tudo pra lá. Embora eu nem saiba onde fica esse lá. Mas é lá que eu vou entulhar tudo! Todas as coisas, e até as pessoas, que me enchem a paciência. Nem desejo que lá seja uma coisa tão ruim assim. Só quero que seja bem longe de mim. Que eu não enxergue, não escute e não perceba nada que esteja acontecendo. E na segunda, não tenho a menor ideia de como sairão de lá. Aliás, que venham todos melhores. Porque senão, quem vai definitivamente pra lá, sou eu!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Anamauê
Passei o fim de semana em um estado de dessentir de mim mesma. Hibernação. Saí. Corri. Fui a restaurante, livraria, botequim, quiosque na praia. Vi filmes. Li. Conversei. Escolhi óculos com a minha amiga. Matei saudade de outras amigas que não via há um tempão! Senti frio. Comi um pão maravilhoso que a minha filha fez. Quentinho. Mas em qualquer oportunidade, embaixo da luz, no meio do barulho, eu simplesmente dormia. Um sono profundo. Aí, acordava. E continuava o que havia parado horas atrás. E o mangue beat que anda batucando no meu peito não me deixou. Mais uma das minhas contradições. Acordada eu quero acalmar esse maracatu atômico. E quando acalmo demais, dá uma aflição medonha...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
[Des]memória
Todas as vezes em que tento fazer as coisas cotidianas prestando atenção, quando me dou conta, me frustro. Não adianta. Não consigo. Esta noite, pra variar, tive insônia. Rá! E fiquei pensando que a partir do momento em que saísse do meu prédio para o trabalho, gravaria tudo mentalmente. Não deixaria que as coisas se perdessem. Não seria, como sempre, essa pessoa desligada, que anda por aí com a cabeça no mundo da lua. De jeito nenhum! Estaria atenta a tudo e a todos. Ligadaça! Assim, sentiria minha vida outra vez sob meu controle, me divertiria com as pessoas no ônibus, não correria tanto risco de cair como sempre, ficaria adivinhando a profissão das pessoas pelo jeito que elas se vestem... Enfim, faria tudo o que já fiz, em tempos em que fui mais ligada, digamos assim. Como fiquei acordada um bom tempo na cama, deu pra fazer um bom roteiro. Cheguei a torcer que a manhã chegasse logo, para que pudesse aproveitar o longo caminho de Ipanema ao Centro. Acordei exausta. Dormi pouco pra caramba. Queria mesmo é poder ficar muito mais tempo ali, quieta, parada. Quando cheguei no trabalho, minha amiga me perguntou ‘veio de 15, Bia?’. Vim sim! E me dei conta que não lembrava nada, de absolutamente nada, do que aconteceu naqueles quarenta e cinco minutos desde que saí da minha casa. E estive de olhos abertos o tempo todo. Vai entender essa pessoa.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Palavras
As palavras sempre foram a minha paixão. Das gírias à norma culta. A palavra falada, cantada, escrita, de todas as formas. É verdade que não gosto muito quando é gritada. Mas um berro de alegria é maravilhoso! Admiro a palavra firme, forte, embora falada de um jeito delicado. Adoro as palavras empolgadas, felizes. Andam raras. O problema são as palavras engolidas. Porque um dia elas saem. E aí, elas vêm engasgadas, destroçando. E, muitas vezes, emudecendo para sempre.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
domingo, 5 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Ob-observando
Aquedar-me. Este talvez seja o meu desejo maior nos dias atuais. Em uma sublimidade absoluta, para que nada chegue perto da lembrança de uma decadência física ou mental. Quero apenas um tempo de silêncio. Como se trouxesse o dedo indicador bem devagar até a boca e fizesse psiuu. Queria poder dizer que meus pensamentos foram embora e em breve retornam. Levaram com eles a memória e os sonhos. Mas também a ansiedade, a tristeza e qualquer tipo de angústia. E assim eu poderia, tranquilamente, assistir ao movimento da vida sem precisar sair da minha quietude. Tenho certeza de que tudo continuaria exatamente igual. E mesmo sem pensar, eu cairia em uma enorme gargalhada.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Para um feriado mais feliz!!!
Tarso me apresentou...
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Pato Fu
Composição: John
As pessoas têm que acreditar
Em forças invisíveis pra fazer o bem
Tudo que se vê não é o suficiente
E a gente sempre invoca o nome de alguém
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Ié Ié!
Acho muito caro que ele tá pedindo
Pra eu ter muito mais sorte menos azar
Acho muito pouco o que tenho no bolso
Pra ver o sol nascer não tem que pagar
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Ié Ié!
É certo que milagre pode até existir
Mas você não vai querer usar
Toda cura para todo o mal
Está no Hipoglós, no Merthiolate, Sonrisal
Quem tem a paz como meta
Quem quer um pouco de paz
Que tire o reboque que espeta
O carro de quem vem atrás
É certo que milagre pode até existir
Mas você não vai querer usar
Toda cura para todo o mal
Está no Hipoglós, no Merthiolate, Sonrisal
Quem tem a paz como meta
Quem quer um pouco de paz
Que tire o reboque que espeta
O carro de quem vem atrás
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!
Ié Ié!
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Difícil
Teve uma época em que eu não conseguia ver fotos dos meus filhos crianças. A saudade daqueles momentos era tão grande, que eu não conseguia aproveitar aquela alegria. Queria sentir aquele abraço enroscado inteiro no meu colo. Escutar de novo as gargalhadas de quem só tem sonhos e brincadeiras. Mas já havia passado. Hoje falta-me coragem para olhar para trás. Tenho medo de encontrar alguma coisa perdida que encaixaria bem na dor de agora. E que poderia cicatrizar em um instante. Mas já não dá mais tempo. Também passou. A verdade é que olhar pra frente, infelizmente, tem dado muita preguiça. Como se fosse preciso arrastar os pés em passos mínimos. Talvez sejam os olhos embaçados. Pelo cristalino opaco. Ou pelas lágrimas que teimam em pemanecer ali.
Pedaço de Mim
Pedaço de mim
Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
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